Também já falei por aqui dessa mostra e prometi comentar o assistido. Na última sexta queria eu fazer um programa light pegando um cineminha e no máximo um chope no Amarelinho. O cinema super rolou, dessa vez na Caixa Cultural, e junto com meu parceiro Duster Daniel Ruscio assistimos ao primeiro longa-metragem de Adriana Komives.
“Transoceano” conta como seus pais fugiram da Hungria para o Brasil, onde ela nasceu e como ela mesma fez o caminho inverso, vindo morar na Europa. O longa foi rodado durante dez anos e levou mais cinco para ficar totalmente pronto, bem pessoal e intimista o filme nos lança uma ótima pergunta: do que é feita uma identidade? (Prato cheio para os historiadores, rs.!)
Adriana percorre raízes, cores, línguas, religião, o fato de ser imigrante e oceanos buscando o final de suas dúvidas. O longa já passou pelo Festival de Cinema Brasileiro em Paris e eu fiquei muito feliz em ter a oportunidade de assistir a esse belo trabalho.
* Só a noite que não foi tão leve, pois terminamos Jogadíssimos, rs.!
Continuei a saga hoje e fui até o Museu da República conferir mais uma sessão da mostra. “A Lama, a parabólica e a rede” de Rejane Calazans e Clarisse Vianna, que de tese acadêmica tornou-se um divertido curta-metragem, sai do Rio de Janeiro e São Paulo em direção ao Recife buscando identificar onde nasceu a Cena Mangue, suas contradições e o percurso de uma das cenas mais ricas que o país já teve e que recusa o rótulo de “música regional”.
Ainda não se ligou? Depois desse curta eu percebo que se não falasse aqui que se trata do Movimento Manguebeat (termo criado e divulgado pela mídia nas grandes cidades), ficaria no zero a zero também.
Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, DJ Dolores, Bonsucesso Samba Clube são alguns nomes desse blefe com cara de manifesto e ainda não esqueci a parte em que um taxista afirma que: “Se Deus um dia decidir botar um ‘pirce’ no mundo vai botar é no Recife, porque isso aqui é o ‘imbigo’ do planeta”. – Hilário!
Por Jovian Vianna