Tudo que foi visto durante o Fashion Rio e a São Paulo Fashion Week mostrou-se mais democrático. O inverno como de costume no Brasil, não vem tão forte mas as marcas investiram em boas idéias que, se possível, seria bacana ver nas ruas do país.
De início o tricô ganha status forte na temporada e aparece em processos mil e shapes inovadores (um exemplo é a coleção da Coven em 100% tricô com vestidos, casacos e calças feitos na trama que ganham recortes coloridos e muito atuais). Além disso as peças do material ganham volumes desejáveis que acontecem em tramas com ponto mais aberto e fio mais grosso.
Outra vedete da temporada é a alfaiataria. Surgem em dois caminhos: a alfaiataria normal bem cortada e construída e a desconstruída para os mais modernos. A menina dos olhos da alfaiataria são os paletós que mesmo com shape masculino ganha o guarda-roupa feminino com ombros estruturados e cintura mais ajustada. As calças também ganham a cena, entenda-se CALÇAS, e não as skinnys que aconteceram durante esse tempo todo. Bem cortadas elas ganham versão alfaiataria e o volume acontece até nas peças em jeans, mais largadas do corpo e com barras dobradas estilo cropped. Além disso a cintura sobe e ganha adornos como laços e em contrapartida o ganhco abaixa com aparência saruel. Falando em jeans, eles perdem o tom claro do verão e se jogam no tigimento mais escuro, em tons de azul profundo ou com tingimento acinzentado. A Cantão inovou ao adotar a lavagem com argila que deixa a peça com cor de telha.
Das cores, o preto predomina. Se antes o cinza era estrela agora é a vez da cor mais democrática e invernal. As marcas sugrerem o look total preto ou pontuado com cores fortes como rosa, vermelho ou amarelo. O dourado também acontece em pedaços com status decorativo. Bordados e aplicações também apareceram bastante, sendo o paetizado e o bordado em linha o mais usado. Em matéria de estampas, as flores invadem o inverno em versões micro e em profusão. Um quê de art déco também desponta em estampas de bordados ou linhas vigorosas e retas.
De styling, as luvas saíram do armário e ganharam as passarelas. Tem de couro, longas, curtas, coloridas, em preto. Se tem um par em casa a hora de usar é agora. As sobreposições também são o truque inerente desse inverno, montando looks com camisa + colete + casaco (em tricô), ou se fazendo valer da dobradinha bermuda + meia calça grossa. Falando nelas, as meias-calças também vão sair do armário. Com um resquício da onda 80′s as em preto finas apareceram bastante, mas também tem espaço para as mais grossas em lã, com cores que até os meninos usam.
Das formas uma grande democracia. Ora o shape acontece fluído em vestidos longos, ora estruturados e geometrizados (estética déco + 80), em looks poderosos. O volume fica na parte de cima do corpo com peças de ombros proeminentes.
O veludo do tipo molhado, acontecem em calças, vestidos e casaquetos, dá certo, tem um quê fluído que desenha o corpo ao andar. Tecidos tecnológicos também já são uma quase realidade entre nós, meros mortais, muitas coleções trabalharam a nova aposta em peças desejáveis. Também vimos acontecer o que já se iniciava com Alexandre Herchcovitch algumas coleções atrás: o crash de estampas. No inverno flores se misturam com poás, que se misturam com geometrias, que se misturam com abstratos… invista!
Das coleções mais bacanas fiz um top 10 do que apostamos (apesar de ser difícil escolher entre zilhões de marcas), aí está:
10 – Huis Clos
9 – V. Rom
8 – Maria Bonita
7 – Animale
6 – Fórum Tufi Duek
5 – Melk Z-da
4 – Amapô
3 – Cori
2 – Coven
1 – Espaço Fashion
Das boas estréias destacamos a Printing, Auslander, Alisson Rodrigues (Rio Moda Hype) e Christine Yufon.
Por André Chaves