Foram ao todo 73 desfiles entre o Rio de Janeiro e São Paulo que mostraram os novos caminhos que devemos adotar para o verão 2011. Confirmando a queda do conceito de uma tendência universal, a moda agora atira para todos os lados e com isso conquista mais público que com certeza se identifica com alguns dos muitos caminhos propostos.
A moda praia, segmento mais esperado nessa edição de verão ganha um carinho todo especial. Biquínis, maiôs e sungas agora surgem com exercícios de criatividade interessantes. As peças, por menores que sejam trazem sempre um diferencial com aplicação de babadinhos, alças assimétricas, recortes e estampas. É um novo conceito de moda praia que excede às areias da praia e ganha o asfalto em peças de corte apurado. A modelagem das sungas volta a ser quadradona e os biquínis diminuem.
Cores mil com efeitos renovados nessa temporada. Azul, amarelo, coral, vermelho, rosa, verde acontecem em tons de sorvete, de estética cremosa até se desmembrarem em tons mais lavadinhos. É uma graça as novas cores propostas e super a cara do verão que tem no coral e no turquesa o seu extremo mais forte. O branco é o novo preto e é melhor apresentado quando pontuado por tons fortes em fluo.
Fala-se de natureza e de um estilo que agrega ao assunto. É daí que o algodão ganha malhas mil nesse verão em muitas das construções propostas pelas marcas. São vestidos, camisaria, calças, bermudas… todos com os artifícios do algodão. Há algumas marcas que apostaram numa estética amassada para essas peças outras se utilizaram do tecido em forma de rede. O tricô entra nessa dança e ganha menos lurex do que o inverno e mais fio em algodão. A modelagem dessas peças é mais justa ao corpo o que deixa um clima de frescor no ar.
Esse frescor é justamente a aposta dos estilistas no uso dessas malhas e a natureza está tão em voga que a Osklen tingiu suas peças, uma a uma usando um processo que não agride o meio-ambiente. Nessa temática se inserem os florais que estamparam a maioria dos looks em versões pequenas e grandes. Estampas de animais (em especial os felinos) e de folhas e vegetações também estão valendo. Nesse gancho surge a temática Brasil, que com sua fauna e flora garantiu uma vasta seleção para muitas das marcas que se apresentaram.
Os anos 50 estão chegando, de mansinho para alguns ou tomando conta de tudo para outros. Saias godês de cintura marcada apareceram em algumas marcas onde em outras, vestidos mais curtos aderem a década do New Look de Christian Dior. Isso acaba por definir algumas vertentes de modelagem dessa temporada onde os looks mais justos perdem espaço para o conforto em peças mais folgadas com exercício interessante de planejamento. O jeans também entra nessa dança e as calças boyfriend ganham status novamente além de um novo aliado, as calças “alicate” que no cabide tem as pernas levemente cruzadas e as barras das calças ou são curtas ou são dobradas. As lavagens das peças oscilam entre o claro e o escuro, porém não chegam a atingir o marinho profundo. Peças no jeans também ganham cores em processo lavado.
Outra década que ensaia um retorno são os anos 60, menos óbvio que sua década antecessora, ela aparece melhor na modelagem de vestidos curtos e num perfume safári que lembra a coleção do célebre estilista Yves Saint Laurent com o uso dos bolsos em camisaria e de uma vontade mais utilitária.
Recortes e misturas interessantes também aconteceram bastante formando uma nova proposta: o clash de estampas. Aí onça, floral, lisos, folhagens, abstratos, geométricos se misturam atualizando peças já conhecidas. E as sobreposições, nesse verão, acontecem sob o véu da transparência. Muita organza em camadas de saias e o uso de uma estética plástica em peças inteiriças melhor representado pela Tufi Duek sob comando de Eduardo Pombal. Linho e tricoline de gramatura fina viram camisas e calças. É hora de investir numa estética mostra/esconde. Outra aposta no quesito sobreposição é o uso das bermudas de ciclista usadas por baixo de vestidos. Elas substituem as leggings e meias do inverno.
No feminino, vemos ressurgir os bustiês numa tentativa de atualizar os anos 50 já comentado acima. A novidade está ligada diretamente ao mundo da lingerie onde recortes anatômicos redesenham as peças em modelagem maior que a de um sutiã de biquíni. É hora de colocar a barriguinha de fora. Outra opção recorrente é o corset que nessa temporada deixa de ser da temática boudoir e ganha as ruas.
Mangas ganharam uma atenção especial em sua construção nesse verão. Elas vão do segmento mais simples ao mais complicado como mostrado no desfile feminino de Alexandre Herchcovitch. Quando normais podem ganhar bordados que destacam ás peças. A área dos ombros parece ainda ser a menina dos olhos dos estilistas, ainda que não projetados como no revival dos anos 80 elas dessa vez acontecem decoradas.
O surfwear é menina dos olhos da moda. Variações do long john é o responsável por peças mais justas e coladas ao corpo. Vale ressaltar o uso do neoprene em algumas das peças seja inteiras ou por meio de recortes. Nesse verão o surf está na moda e muito dos recortes da roupa dos surfistas serviram de inspiração além do hibisco que no meio dos florais apresentados surgiu de forma icônica.
Foi uma temporada de verão porém apareceram muitos casacos. Os mais mais acontecem em shape mais curtinhos em tecidos mais leves. Aposte em um paletó justinho por cima de um vestido leve para badalar nas noites mais frias do verão.
Da série metalizados, sobressai o dourado. Ele ganha peças inteiras ou pontua os looks com correntes e bordados em metal.
Top 10 Ask The Dust
- Lucas Nascimento
- João Pimenta
- Amapô
- Espaço Fashion
- Blue Man
- Neon
- Tufi Duek
- Alexandre Herchcovitch ( F e M )
- Osklen
- British Colony
Por André Chaves