Entre os lugares visitados nessa última semana passei por uma esquecida e inconformada Praça Tiradentes (que só agora começou a ganhar um bizú em suas calçadas e pedras portuguesas) e entrando no beco Daspu, mais precisamente na rua Luís de Camões, encontramos escondido entre bares e moteis o penoso Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, que segundo informa a Prefeitura do Rio e a Secretaria Municipal de Cultura o equipamento alí sustentado por nós serve para preservar e divulgar a obra do mestre Hélio Oiticica, seguindo padrões dos grandes centros culturais com sofisticados sistemas de segurança, iluminação e climatização.
Infelizmente só o nome não basta para o espaço que ficou com seu histórico marcado por desacordos e brigas entre a família do artista, a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal de Cultura (com direito a transição de governo), idas e voltas com risco de fechar as portas com a ida do acervo para os Estados Unidos ou ainda como registrado por aqui a última vez que o museu recebeu as incríveis obras do artista, tempo suficiente para renovar “acordos internacionais de cooperação”?? a tragédia anunciada pareceu não querer esperar, e o fogo transformou em cinzas segundo divulgado na época, 90% das obras e mais de US$200 milhões em prejuízo. Com fogo controlado e mídia apagada o silêncio sobre esse assunto ainda me deixa muito intrigado…

Kit Ambulante Manicure
Voltei ao Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica essa semana atraído por novas exposições estreadas em junho. O 1° andar está totalmente ocupado com “Kits Ambulantes Para Espaços Vagos”, projeto dos artistas e arquitetos Breno Silva e Louise Ganz que com caixas dobráveis e com rodinhas criam kits perfeitos para casamento, piscina, banheiro, horta, festa/bar, entre outros… As idéias são incríveis e a vontade mesmo é de pegar algum e ir para rua testar toda a praticidade prometida dentro daquelas caixas com brincadeiras e cenários maravilhosos para pessoas de todas as idades e ideologias.
Coragem na hora de subir no elevador e o 2° andar do espaço está ocupado com a expo Beatriz Luz – Dentro e fora de tudo, onde os curadores Fernando Cocchiarale e Marisa Flórido reúnem desenho, pintura, instalação, fotografia e escultura em retrospectiva da artista radicada no Rio desde os anos 60.

12 Banhos - instalação criada partindo de um trecho do livro Viagem à Terra do Brasil — publicado em 1578 por Jean de Léry.
Mais um andar e no 3° pavimento do espaço além de uma seleção de vídeos organizada por Alex Topini , a expo Dreams on wheels (sonho sobre rodas), apresenta a cultura dinamarquesa do cilcismo para sustentabilidade urbana em vários lugares do mundo. Boxes explicativos, bicicletas incríveis e um vídeo demonstrativo completam a mostra que como as outras, seguem em cartaz até o dia 22 de agosto.

Visão geral da mostra Dreams on wheels