Hélio Oiticica deve se revirar além vida vendo o rumo que o seu trabalho tomou nas mãos de seus herdeiros. O Centro Cultural que leva seu nome pelos lados da Praça Tiradentes parece um grande fantasma diante dos outros museus e centros culturais, sem uma programação ágil (hoje descobri pela janela que uma nova expo estréia em breve), e totalmente afastado de seu mentor e suas obras desde que sua família desmontou em 2009 os penetráveis que ocupavam o espaço.

Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica
Dessa vez Cesar Oiticica Filho e Cláudio Oiticica muito bem apoiados, acompanhados e patrocinados ocupam o Rio de Janeiro com as penetravéis já conhecidas e o que não virou cinza na expo Hélio Oiticica – Museu é o Mundo que fica em cartaz até o dia 21 de novembro. Os espaços mais ocupados são: Paço Imperial e Casa França-Brasil, e na cidade externa além da Praça XV, Praça do Lido, Mangueira, Central do Brasil e os jardins do MAM também recebem obras.

Macaléia no Paço Imperial
Passei na Praça XV e depois de mais um confere no Paço Imperial, fui correndo gravar um vídeo na penetrável “PN16” que infelizmente estava interditada por algum produto quimico usado no dia que misturado com o calor quase carnavalesco que rolou transformou a obra em uma bomba de gás quente. Argumentei com o monitor que poderiam por uma proteção ali ou até mesmo um circulador de ar, já que por falta de árvores grandes o sol cai direto sobre a obra e o mesmo me olhou de cara feia, dizendo que não foi assim que ela foi projetada na década de 70, e que Oiticica não fazia idéia que o efeito estufa e o aquecimento global seriam motivo de pauta desse simples Duster. Oi?
Vale lembrar também que no Paço Imperial o artista britânico David Batchelor expõe em algumas salas do terceiro andar obras feitas basicamente com objetos simbolos de uma industrialização e consumo acelerados, lixos utilitários de plástico colorido que com a luz criam efeitos tridimensionais na mostra Cromophilia que fica em cartaz até o dia 30 de outubro e reúne ainda um conjunto de 100 desenhos e uma projeção ótima de slides da série Found Monochromes.

David Batchelor e seu colorido industrial.
Finalmente fui em direção ao Museu de Arte Moderna e depois de penetrar no “PN14″ que você pod e conferir aqui nesse vídeo, não resisti e acabei deixando R$4 dinheiros para uma agradável tarde com Nuno Ramos e seu Fruto Estranho.

PN14 próximo a rampa de acesso ao MAM
Em cartaz até o dia 7 de novembro “Fruto Estranho” que dá o nome da mostra são dois aviões monomotores enroscados em árvores-troncos mega gigantes com muita soda cáustica derramada e um vizoo monumental logo depois das escadas,tudo isso embalado por Billie Holiday cantando a música “Strange Fruit“.
Outras duas obras de grande porte ocupam o mezanino o emocionante “Monólogo para um cachorro morto” escondido entre as lápides de mármore e o incrível “Verme” de quase oito toneladas de fibra de vidro em formato cilindrico, com som e vídeo perfeitos para aquelas horas de lazer solitário.
BURN!