Na verdade são 12 e vocês verão o porquê logo abaixo. A idéia inicial era que esse post tivesse apenas 6 tópicos mas foi difícil resumir o São Paulo Fashion Week em poucos tópicos tamanha a qualidade que o evento e suas marcas participantes apresentaram nessa temporada. Vamos aos fatos:
° Família Lourenço-Coelho

Pelo profissionalismo e declarações deliciosas de amor á moda. Nessa família, mãe, pai e filho dialogam juntos trabalhando materiais como o couro da forma mais pessoal e íntima possível e mesmo assim podendo um ser complemento do outro. Foram três momentos muito agradáveis tanto de Pedro Lourenço trabalhando o tropicalismo em peças ultra jovens e lindas de morrer, Glória Coelho com sua projeção do futuro e vestidos que apresentavam trabalho gráfico em op arte ou estética rigida com estampa em recorte de couro inspirada em signos do zodíaco e Reinaldo Lourenço em momento fetiche revisitando estruturas de sutiãs em vestidos com recorte na segunda pele que mesclavam couro e organza fininha, um delírio.


° Tufi Duek

Pela maneira coerente e inovadora na qual Eduardo Pombal abordou a temática indígena. Mais brasileira que isso, impossível. A sagacidade que Pombal imprimiu ao mesmo tempo revelando novas maneiras e respeitando a memória da imagem de um coletivo quanto ao tema abordado na Tufi Duek foi fascinante. Cestarias e pinturas corporais dialogando com vestidos urbanóides e de modelagem bem arquitetural com toques de linhas simples – minimalista chique.
° Adriana Degreas

Pela referência caprichada na temática brasileira impressa em seu beachwear de luxo. Adriana Degreas se fartou da explosão tropical que de súbito invade também seus biquínis e maiôs para poucas e boas. Caftãs generosos, camisaria e vestidos sexies e pantalonas que evocaram o glamour dos anos 70. Vai do dia á noite mas não em qualquer areia não. Essas pisam em solo internacional promovendo o melhor do nosso bom e velho tropicalismo.
° Osklen

Pela franqueza da temática abordada que falava de negros ( origem, escravatura, hoje em dia, manifestações ) de forma tão sutil e cheia de vontades. Oskar Metsavaht conseguiu fazer um verão cheio de boas escolhas com um mix gostoso de perfume artesanal com materiais cheios de charme como o tricô de palha de ráfia de seda ou o couro de pirarucu. O dourado que pontupu bolsos e golas foi necessário para dialogar com a estética quase neutra em off white e preto que deu o tom do verão da Osklen. Formas gostosas que brincam com volumes de forma graciosa e um primor de vontades muito forte na alfaiataria descomplicada.
° Paula Raia

Pela energia que permeou suas guerreiras urbanas durante todo o desfile. Paula Raia fez um revival na estética de sua antiga parceria, a Raia de Goeye, e se lança solo em momento muito favorável. A marca é concreta com idéias arriscadamente despojadas mas que funcionam muito dentro desse universo. O trabalho artesanal é de fazer pirar tamanho o empenho e o foco que Paula dá em construções complicadas de shape mais folgado e descompromissado.
° Alexandre Herchcovitch ( Masculino )

Pela ousadia gostosa de revelar garotos sem nenhuma barreira de preconceitos. Alexandre Herchcovitch inspirado pelo mundo da pescaria e do camping fez uma de suas coleções mais poéticas e bucólicas com clash de estampa que redesenha um camuflado e elementos de transparência na camisaria em tons de lima e rosa clarinhos. Casacos esportivos com peso invernal chegam para abrigar as boas peças como bermudas e coletes utilitários e cheios de seus momentos de color blocking atual.
° Maria Bonita

Pela execução do artesanal que pontuou sua temática inspirada pela tapeçaria, azuleijaria e bordados portugueses. Danielle Jenses e equipe conseguiram dar o máximo de leveza ao verão da Maria Bonita e ainda assim dialogar os três artesanatos de forma tão simplista e puramente bonita. Assim, a alfaiataria e vestidos ganharam motivos em bordados, recortes vazados e transparências desejáveis. Uma novidade, o comprimento míni é uma graça e rejuvenesceu a moda da marca.
° Ellus

Por ter voltado ás suas boas raízes e ter apresentado uma coleção que mostrou sua melhor fase em muito tempo. Adriana Bozon fez um trabalho primoroso na Ellus nessa temporada abusando da estamparia que chega em xadrezes e clash de prints artsy junto com uma camisaria e alfaiataria mais certinha porém nada careta. O jeans não fica de fora e ganha não só seu tingimento tradicional em azul mais também ganham experimentos de cores como as peças em degradê amarelo. E a bossa jovem e atual desfilada pela marca também merece ser salientada como símbolos de, espero, novos rumos para a Ellus.
° V.Rom

Por ter se mantido clássica na temática adotada que falava de vampiros mas com enfoque no filme “Fome de viver”, com Catherine Deneuve e David Bowie, ao invés de Crepúsculo e True Blood. Do clássico surgiram a alfaiataria e os shapes mais soltos em calças cropped, ou seriam bermudas mais compridas?, que aconteceram em tecidos estampados com motivos vintage e aplicações geométricas coloridas na V.Rom. O vermelho aparece na estampa que rasga peças em branco e o dourado pontua a alfaiataria que encerra o desfile que deixou um perfume streetwear forte que não traiu nem a lógica adotada e nem seu DNA.
° Cavalera

Por ter feito uma releitura tão entusiasmada e feliz de um tema que envolvia Frida Kahlo e a comemoração do Dia dos Mortos. A Cavalera volta a sua forma de satirizar temáticas e agregar elementos de sua forma mais peculiar. Com streetwear arrojado que dialoga diretamente com a linguagem da rua a marca evoluiu em proporções e assimetrias bacanérrimas assim como as boas sobreposições e alfaiataria correta com uso de cores que melhor representa o color blocking que apareceu no masculino. No feminino os florais alegraram as peças em preto e ressaltaram os bordados dos trajes mexicanos que viraram estampas na marca.