Primeiro: achei desnecessário esse subtítulo “O Admirável Mundo Novo Baiano”. Aliás, odeio subtítulos de filmes. Parece tese de mestrado, sei lá. É um artifício para chamar atenção do público, sem dúvida, mas totalmente irrelevante. Acho que apenas “Filhos de João” é muito mais instigante, não entrega “de cara” o seu tema, e ainda se torna uma espécie de trívia para quem não conhece a história do grupo, como eu.
Segundo: como filme, não tem nada demais. Mesmo. É um documentário tradicional típico: entrevistas intercaladas por imagens de arquivo, músicas e falas alternadas. É um grande filme para os fãs da música brasileira. Alguns fãs de cinema talvez encontrem algo de interessante nos vários trechos de películas protagonizadas pelos próprios músicos. São raridades, verdadeiros achados da “cinematografia experimental” brasileira.
Terceiro: a montagem me incomodou várias vezes. Destaco o momento em que Dadi fala sobre a chegada de João Gilberto (o “tal” João do título) na casa em que moravam. Neste momento, a entrevista corta para a imagem do olho mágico de uma porta (com a pretensão de ilustrar a fala). Ilustrar por ilustrar, assim, no meio da entrevista. Como se isso não bastasse, essa cena do olho mágico já havia sido mostrada no início, no plano-sequência que abre o filme. Repetição gratuita.
Apesar de (tudo) isso, é um filme que flui bem, você nem sente. Vale pelas tiradas (sempre espetaculares) do Tom Zé que, inevitavelmente, arranca boas gargalhadas involuntárias do público.
Um detalhe: assisti esse filme no Cine Santa Teresa. Uma merda. Eles projetaram o filme em uma imagem levemente achatada. O projecionista foi iludido pela largura da tela e alargou a imagem. Uma lástima. Eu sei que quase ninguém deve ter percebido isso, afinal hoje todos assistem a TV em seus aparelhos de LCD que achatam tudo, apenas pelo prazer burro da tela 16:9.